quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Intervalos...

Bom, vamos mais um pouco de teoria musical! Quero começar a fazer análises harmônicas de músicas que eu acho que valem a pena mas, antes, eu vou fazer uma bateria de posts de teoria básica pra ter embasamento nos próximos posts e pra que vocês que irão ler, entendam o que eu vou querer dizer. Além, também, de ter o intuito de ajudar quem estiver procurando sobre esses assuntos. Vai ser um pouco extenso, já vou avisando hahaha.


Hoje o papo vai ser sobre intervalos musicais. Vou falar sobre o básico aqui. Cabe a quem quiser, aprofundar mais sobre o assunto e tirar suas próprias conclusões. Estou à disposição para responder qualquer dúvida também :)


Começaremos tomando como base a boa e velha Escala Maior Natural de Dó maior (nisso entende-se dó, ré, mi, fá, sol, lá, si). Todas as escalas, todos os tipos, tem intervalos característicos entre as notas. É desses intervalos que eu estou falando! Se você se lembrar das teclas do piano, vai facilitar sua visualização.



Olhando a imagem, as teclas brancas são as notas naturais e as teclas pretas são as notas com acidente, ou seja, ou sustenido (#) ou bemol (b),  essa diferença existe somente na teoria. Uma nota ou acorde sustenido é aumentado em meio tom e uma nota ou acorde bemol é diminuído meio tom. Na prática um dó# não se diferencia de um réb, por exemplo. Essas notas são chamadas de enarmônicas, pois tem o mesmo som. Mas teoricamente falando, vocês vão perceber que existe uma diferença clara e importantíssima entre essas notas.


Se você tocar todas as notas em sequência, incluindo as teclas pretas do teclado, você estará fazendo uma escala que chamamos de escala cromática. Que nada mais é do que uma escala com TODAS as notas (ou com o menor intervalo possível entre elas), ou seja, ao invés de 7 notas, a escala terá 12 notas (dó, dó#, ré, ré#, mi, fá, fá#, sol, sol#, lá, lá# e si ou ao invés dos #, usando seus respectivos b). Agora qual o motivo de essas notas terem nomes compostos (ex: dó sustenido ou ré bemol)? Dizem as más línguas que é por que os músicos queriam complicar as coisas para os "não-músicos", apenas. Não existe uma explicação concisa sobre isso. O fato é que as notas são essas, os nomes são esses e a gente tem que se acostumar. hahahaha


Os intervalos musicais são divididos em dois tipos de unidade de medição: tom (ou tom inteiro) e semitom. Sendo que "cabem" dois semitons em um intervalo de um tom.


Na escala cromática, como falei, se tem os menores intervalos possíveis entre as notas, ou seja, é uma escala totalmente formada por SEMITONS.


Oh my God!!! Porque entre o mi e o fá e entre o si e o dó não tem um mi# e um si#?? Ou um fáb e um dób?? Bom, no caso, nós estamos tratando de instrumentos não temperados (pianos, violões, guitarras) onde não há essa diferença. Em instrumentos temperados (violino, canto, etc) existe essa diferença. Assim como existe diferença entre um dó# e um réb. Os instrumentos não temperados utilizam-se das escalas cromáticas e não levam em consideração pequenas variações no som (tão sutis que é preciso muito treino para se conseguir diferenciá-las), o que acontece com os temperados. Prestando atenção novamente nas teclas do piano, não há teclas pretas entre as notas mi-fá e si-dó. Nesses dois casos, o intervalo é apenas de um SEMITOM. Nos demais, que existe a tecla de acidente no meio, o intervalo é de um tom. Agora, pra finalizar o raciocínio, o intervalo entre uma tecla branca e uma preta, também é de um SEMITOM. Sendo assim, se você contar de uma nota por uma nota, terá intervalos de um SEMITOM. Se contar de duas em duas notas, terá intervalos de um TOM. Isso acontece SEMPRE, independente de onde você comece a contar. Essa é a maior regra, na minha opinião.


Voltando e esquecendo os instrumentos temperados... vamos pegar a escala cromática de Dó maior como exemplo e colocar os intervalos correspondentes (usarei ST para informar os intervalos de SEMITOM):


dó - ST - dó# - ST - ré - ST - ré# - ST - mi - ST - fá - ST - fá# - ST - sol - ST - sol# - ST - lá - ST - lá# - ST -si - ST -dó


Sendo assim, se tem um intervalo de semitom a cada nota em sequência. As escalas maiores naturais tem uma configuração de intervalos específica. Essa configuração é: tom-tom-semitom-tom-tom-tom-semitom. Ou seja, na escala maior natural de DÓ (usarei T para intervalos de tom e ST para de semitom):


dó - T - ré - T - mi - ST - fá - T- sol - T - lá - T - si - ST - dó


Então, isso explica porque a escala maior natural de Dó não tem nenhum acidente (nenhum bemol e nenhum sustenido). É a mais simples e fácil de se compreender. Isso explica também a razão de a escala maior natural de Ré não ser simplesmente ré, mi, fá, sol, lá, si, dó e sim ré, mi, fá#, sol, lá, si, dó# e ré.


ré - T - mi - T - fá# - ST - sol - T - lá - T - si - T - dó# - ST - ré


Seguindo o mesmo raciocínio e pensando sempre em intervalos, teremos também as escalas com notas bemóis. Segue a escala de Sí bemol (Bb) como exemplo:


sib - T - dó - T - ré - ST - mib - T - fá - T - sol - T - lá - ST - sib


É importante diferenciar os sustenidos dos bemois, principalmente na hora de identificar as escalas e cifrar uma música. Mesmo sendo apenas questão de nomenclatura, no caso do violão, da guitarra, do piano. É simplesmente o FAZER CERTO. A escala de Si bemol é diferente da escala de Lá sustenido. Lembrem-se!


Vale a pena estudar os intervalos característicos de outros tipos de escalas também como, por exemplo: escala menor; menor melódica; menor harmônica; assim como escalas tradicionais de outros lugares como a japonesa, egípcia, etc.


Então é isso, a princípio hehehe. Espero não ter me alongado demais e ter conseguido passar o básico sobre esse assunto. Acho muito importante ter isso tudo em mente. É um pré-requisito essencial pra parte de harmonia, improvisação, teoria no geral, tudo!


É isso.


Até mais...


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